domingo, 23 de janeiro de 2011



O homem criou a Religião como uma maneira de louvar as forças criadoras do Universo, da natureza e de si próprio, os seres imortais nos quais ele acreditava profundamente e aos quais deu o nome de Orisa (em yorùbá Ori: cabeça, sá: escolher) : cabeça escolhida, por ser melhor do que as cabeças normais humanas, sendo cabeça também força vital, aquilo de imortal que existe em cada ser humano.
Ao criar a Religião dos Orisa, chamada "Egbe Omo Awo" (comunidade dos filhos do segredo, dos que cultuam o segredo), desenvolveu toda uma ritualística para acompanhá-la, porque a Religião é uma tradição criada pelo homem, uma invenção humana direcionada ao sagrado e ao divino. Partindo do princípio, repudiado por alguns, de que Religião é tradição e tradição é invenção, formas de praticar estes cultos também foram desenvolvidas ao longo do tempo, destes sete mil anos em que Orisa acompanha o homem em sua trajetória pelo planeta Terra.
Foi um inventar paulatino, lento, criterioso, passado e repassado de pai para filho, de mestre para discípulo, uma vez que nossa tradição é oral, e a força da palavra é essencial aos nossos ensinamentos.
O fato de nossa Religião ser basicamente étnica, tribal, iniciática, alicerçada no transe de possessão, muito contribuiu para a beleza e a complexidade dos rituais criados a partir do Ifa, oráculo sagrado yorùbá, conjunto de lendas, poesias e literatura oral que são a base de nossa sabedoria ancestral, nossas "escrituras orais", transmitidas fielmente de geração a geração há sete séculos.
Quando se tem a oportunidade, como temos, de falar com nossos deuses (somos politeístas), o ensinamento flui mais facilmente, o sagrado e o humano interagem a favor de uma maior liberdade na elucubração dos ritos religiosos. Para cada Orisa há rituais próprios, que envolvem suas preferências por cores, alimentos, vestimentas, adornos, ferramentas, colares, animais. Nossa Religião é baseada no "Ebo", oferenda que o homem dá ao Orisa para demonstrar seu apreço e sua adoração. Este "oferecer Ebo" cria também um campo mágico de energia onde pedidos podem ser feitos e obtidos, não apenas um "toma lá ,dá cá" , uma troca grosseira e comercial, mas um presentear, um doar, baseado em amor, respeito e merecimento, que passa pela escolha de destino que cada ser humano faz ao nascer, que reflete a possibilidade que Orisa tem de nos aconselhar e nos guiar no melhor caminho de vida.

Abraço fraterno - Bábà Olúdàré

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