domingo, 16 de janeiro de 2011

Ser negro

 

 

Ser negro

Ser negro para mim:
Não é apenas ter a cor mas sim indentificar-me com a cultura negra
É sentir um arrepio quando escuto o som do tambor no ritmo de ijexa
Uma vontade sem tamanho de dançar ao som dos tambores
Ouvir uma palavra nagô e entender seu sentido mais amplo... axé
Comer um acarajé e dizer que é o manjar dos deuses africanos
É ser chamado para lutar capoeira quando ouço o birimbal no toque Angola regional
É ter o sonho de um dia conhecer a Africa
É torcer pela Africa em todos os eventos onde ela aparece
É sentir-me ofendido mesmo quando os insultos racistas não forem para mim
E acima de tudo não esconder-me atras de adjetivos como moreno ou mulato mas sim ter orgulho de ser chamado: NEGRO
Muito Axé !!!

Grande abraço Olúdàré

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Conto


Anoitece. A lua, iniciando seutrajeto pelo céu, perfurava as trevas, com sua luz prateada, liberandosua energia sobre a terra.
Os animais noctívagos, começavam a acordar e se dirigiam para a savana e para os bosques, a procura de caça.
No céu, as corujas e morcegos começavam suas rondas.
Aoredor de uma fogueira, todos os jovens da aldeia, aguardavam a chegadado velho Makúràyé, para dele receberam estórias, ensinamentos e muitasaventuras.
O velhochega, senta-se em seu toco preferido, enche o seu velho cachimbo,negro pelo uso, com tabaco e ervas, que somente ele sabia quais,arruma-se, acomoda-se, levando um tempo que, para os jovens ativos, erainterminável.
Limpaa garganta com um pigarro profundo e, quando começa a falar, descesobre o grupo reunido um silencio tão pesado quanto ao da morte.
• ”Nas manhãs da existência do homem em Ayè, quando necessitavam secomunicar com os Orisà, os kadiiala invocavam Legbarà, que prontamentesurgia para saber o que eles queriam...
• Oh Èbora Divino, Mensageiro dos Orisà! Nós servos dos Senhores doMundo, humildemente imploramos ao Nosso Pai Omolu, que perdoe as faltasdo pequeno Apotakiè, e oferecemos ao Nosso Grande Pai, um cesto dedoburù com coco, uma cabaça de emu, uma cabaça de dendem, uma cabaça decom tabaco e mel e uma bandeja de frutas, conforme prescreveu Ifà.Imploramos, oh Pai, cura-o! Ajuda-nos Pai! 
E, incontinente, Legbarà, partia para Orum, levando a mensagem...
Nocaminho, Legbarà, encontrava ricos campos com bananeiras carregadas defrutos amarelinhos, pinhas, mangas, sapotis, cajás e outras frutasdivinas.
Parava para comer e saciar sua fome.
Mais adiante, encontrava palmas sumosas.
Parava para retirar sua seiva, destilá-la e matar a sua sede com o doce emu.
E, assim, a viagem prosseguia, de parada em parada, até a mensagem chegar a seu destinatário.
Infelizmente, quando o Pai Omolu, recebeu a notícia, era tarde demais. Eku chegara primeiro...
Os homens, então, choravam e lamentavam:
•  Teriam os Orisà nos abandonado? 
Orisala, na sua grande sabedoria, convocou uma reunião entre os homens e os Orisà, assim que ouviu as lamúrias.
Ela se realizou na fronteira entre Orum e Ayè.
Sorokérecebeu instruções para guardar, com seu exército, o perímetro em tornoda reunião, contra os seres que só sabem perturbar.
Oshomens escolheram o mais sábio dos babalawó, dois babalorisà e umaiyalorisà (para que as Iyabàs não se ofendessem) como representantes.
Todos os Orisà estavam presentes.
Orisà Olufon, o mais velho, presidia a reunião.
Seria sempre o último a falar e seu voto seria o de “Minerva”.
Sangó e Nànà, seriam os mediadores, para evitar perda de tempo com assuntos supérfluos.
E a palavra foi dada aos homens, o babalawô, foi o primeiro a falar:
• Nós Os louvamos e adoramos. Nós Lhes damos oferendas. De nossa caça, aparte melhor, de nossas colheitas, as melhores frutas e frutos,procuramos nas matas, com a licença de Ossaym, as ervas da preferênciados Senhores, e Senhoras, tudo, dentro do que Ifá nos transmite dosdesejos dos Senhores, e Senhoras, nós fazemos e, mesmo assim, nãoobtemos respostas às nossas súplicas. Seguimos os preceitos ensinadospelos ancestrais e, mesmo assim, nada conseguimos... Aos antigos,bastavam cruzar a fronteira onde ora nos reunimos, para encontrar efalar com nossos Pais. 
Solene, Orisà Olufon interveio:
•  Separai-nos pois não mereceram nossa confiança...
•  Foi justa a separação - disse Sangó - mas também é justa a reclamação... 
Intempestivamente Ógùn fala:
•  Porque da demora em solicitar nossa ajuda? 
Prostrando-se ao chão, Mgbògun, um dos babalorisà, exclama:
•  Não Pai! No caso de Apotakiè solicitamos a benécie do Pai Omolu assim que a febre se manifestou...
•  Mas, quando fui avisado, - disse Omolu - Eku já havia passado por lá... 
Oríketúzarà Katendé, descendo do Iróko, disse:
• Nem o homem demorou a pedir indulgência, nem o Orisà Ademimonazambidemorou a chegar. A notícia é que demorou muito tempo para sair de Ayèe chegar a Orum. 
E Ógùn foi chamar Soroké.
Soroké argüiu Legbarà.
Legbarà se defendeu:
• O caminho é longo, sede e fome nos alcançam entre Ayè e Orum,precisamos repor nossas forças para viajar entre os espaços, precisamoscomer e beber.
•  Precisamos ver isso... - Falou pensativamente Orisà Oguian.
•  Sim, Legbarà precisa de energia. - Concordou Osun.
•  Que seja feita a justiça! - Completou Sangó. 
Orisà Olufon, erguendo seu opasoró, proferiu a sentença:
• Que Legbarà, para ter energia para suas viagens, receba, sempre, emtodos os tempos, de agora e para o futuro, sua bebida e comidapreferidas, antes de qualquer outro. Que sejam abertos a noite, o dia,as festas, as saudações e tudo o mais com oferendas aos nossosmensageiros, para que, rapidamente, saibamos o que acontece em Ayè.Gravado ficará em Loko e nos planos de meu Opasoró, e para sempre assimserá feito...
•  E hoje, sempre que invocamos o asè de nossos Pais, seja porque motivo for, primeiro damos de comer e beber aos Divinos Mensageiros, para que Eles possam viajar entre os espaços, rápidos como a luz do Pai Maior,sem interrupções, para que possamos receber, quando merecemos, a ajudade nossos Orisà...”

ORIKI OGUN



OGUN LAKAIYE OSIN IMOLE
OGUN, SENHOR DO MUNDO TRABALHA BRILHANTEMENTE
OGUN ALADA MEJI
OGUN DE DUAS ESPADAS
OFI OKAN SANKO
ELE USA UMA FOICE
OFI OKAN YENA
ELE USA UM ANCINHO
OJO OGUN NTI ORI OKEBO
UM DIA OGUN DESCENDO DO MORRO
ASO INÃ LO UM BORA
ELE SE ENROLOU NUMA ROUPA DE FOGO
EWU EJE L’OWO
E NUMA ROUPA DE SANGUE
OGUN ONILE OWO OLO NA OLA
OGUN É O DONO DA CASA, DO DINHEIRO, DA ESTRADA
OGUN ONILE KONGUN KONGUN ORUN
OGUN É O DONO DE MUITAS COISAS NO CÉU
OPON ONI SILE FI EJE WE
ELE TEM EM ÁGUA EM CASA, MAS PREFERE TOMAR BANHO DE SANGUE
OGUN AWO LE YINJU
OGUN GOSTA DE MULHERES BONITAS
EGBE LEHIN OMÓ KAN
ELE SOME COM AS PESSOAS QUE NÃO O RESPEITAM
OGUN MEJE LOGUN MI
OGUN SE DIVIDE EM SETE, MEU OGUN SÃO SETE

Ifá nos informa que o homem descobriu o ferro, sem forma, no meio ambiente, e a partir deste momento conheceu o Orisà Ògún. Nessa analogia percebemos a estreita ligação entre Ògún e o homem. Quando isso aconteceu Ògún passou a receber considerações de um grande Imole (Orisa), de tal forma que permitiu uma comunicação profunda entre o homem e o ferro em meio a natureza, considerando tudo que é possível fazer com o ferro. Assim, simultaneamente, conhecendo o aparecimento do ferro, conhecemos o Orisà Ògún com todos os seus atributos associados primeiro ao ferro sem forma, frio, inflexível, imóvel. Mas a partir desta descoberta com a relação do homem com Ògun através do elemento ferro, com essa afinidade obtida é que cabe a Ògún, como qualquer outro Orisa, manter a harmonia em seus limites, mas essa harmonização só é possível ser aplicada pelo homem no exato momento em que ele entra em contato com a terra, toca o ferro e etc... Pois bem, após conhecer a natureza ou característica de Ògún, no ferro, precisamos também conhecer bem as suas diferentes manifestações extraídas do mesmo. Assim, no primeiro nível Ògún se dá como um Ebora, possuindo forma animal expandindo na natureza sua essência na forma espiritual. Só no segundo nível que Ògún surge exercendo forma e característica humana, as quais possibilitam o domínio da forja, o domínio do campo, domínio da agricultura, dos bosques, e principalmente o domínio da guerra e da caça, ou seja, conquista do espaço e subsistência. Assim nitidamente podemos ver que quando cultuamos Ògún em seu assentamento, FERROS SEM FORMA, estamos na verdade cultuando a sua forma primacial que é sobrenatural e irracional de "Èbòrá", um ser ou força totalmente desprovido de forma e compreensão humana.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Boori - oferenda a cebeça fisica e ao destino


Chega o filho de santo na casa do pai de santo desconsolado , cheio de problemas. Então o pai de santo recorre ao jogo de búzios e descobre que esse filho tem problemas de Òrìsà e que esse filho tem que tomar Boori. Essa é uma das possibilidades que pode trazer uma pessoa as conseqüências de um Boori.

Dá-se os egbos necessários para a purificação do corpo do agora chamado abyian, 1, 2, 3, 4, 5 egbos ou mais, ou menos, depende do caso, ou seja, o que for pedido no jogo. Coloca-se o filho recolhido numa eni (esteira sobreposta em folhas) depois de passar por banhos de ervas. Inicia-se então os preparativos para os atos. Confere-se para que tudo esteja correto, para nada faltar no exato momento.

Entoam-se rezas de roncó (quarto de recolhimento), rezas de Òrìsà e rezas de Òrìsà Ori. Coloca-se um filho escolhido pelo pai de santo virado de costas para o abyian, com costas e cabeças encostadas uma na outra. Na cabeceira da eni estará disposto oferendas aos Òrìsàs ligados à Ori, como Osaala, Yemanja, Osun. Também ao Òrìsà que rege a cabeça do abyian. Dispostos estão também dois pratos brancos, uma quartinha branca, dois obis, uma tigela de louça branca, o okuta, um pedaço de coral branco, panos de cabeça, velas brancas, um frango branco, uma galinha de angola branca, um peixe de preferência vivo e um pombo branco, o obe (faca cerimonial), ikan (cordas feitas de palha da costa), folhas de odundun, entre outros...

Aqueles que esperam encontrar os fundamentos realizados neste ato, esqueçam! Pois sou contra aqueles que saem de dentro do culto contando tudo o que se passa, preste atenção e reflita sobre este provérbio Yorubá: "Ògbèri Nko Mo Màrìwò" (O não iniciado não pode conhecer o mistério do Màrìwò)

Terminado todos os atos, canta-se cantigas de louvores ao grande Òrisà Ori como por exemplo:

O pere o ori o, ori ke. Eda mi ori ke , oro o ori o lese orisa.

(Traga-me coisas boas cabeça. Minha cabeça grita, minha cabeça aos pés do Orisa)
Ani soke. Ori bo aiye.

(Nós nos regozijamos. A cabeça entrou no mundo)

ou

Ma je mi seku o, ori o.

(não permita que eu faça a minha morte minha cabeça)

Pois ali nasceu mais uma cabeça, graças a Deus.

Pede-se que este abyian seja uma pessoa temente aos preceitos do culto, seja responsável nos seus atos, tenha respeito com sua casa de axé e deseja-lhe muita felicidade na vida, que seus negócios sejam abençoados, que nunca lhe falte a saúde entre outras coisas do gênero.

Alí o abyian ficará por três dias descansando e refletindo sobre tudo o que foi feito e o que foi dito. Depois que se passou este prazo o novo cidadão volta para sua vida normal mas com seus objetivos e perspectivas completamente modificados, cumprirá seus preceitos e se ele será, a partir dali um adepto de Candomblé ou não caberá apenas à ele esta decisão pois o Boori não é aplicado apenas aos adeptos.

Òrìsà Ori não é como os outros Òrìsàs, ele deve ser tratado separadamente, não adianta um filho estar com seu santo satisfeito se seus Booris estão atrasados, por isso usamos de dar sempre Boori antes das obrigações. Um Boori bem feito pode resolver até pequenos problemas de Òrìsà.

ATÈ ÁMÚLÚ´S.

As combinaçãoes ordenadas dos 16(dezesseis)ÓDÚ originais ou principais entre si geram 240(duzentos e quarenta)configurações oraculares.
Estas combinações indicam a junção de 2(dois)ÓDÚ(destinos)que ,ao se combinarem harmoniosamente,recebe o nome ÁMÚLÚ´S.
As combinações adicionam positividade e negatividade á vida das pessoas nascidas sob suas regências.
Essa junções tanto enriquecem quanto empobrecem e invalidam algumas características individuais dos ÓDÚ ,quanto da combinaçaõ entre si.Sendo que á combinação dos destinos acontece quando da senda a ser trilhada na terra pelo ser humano.
O tratado de ÍFÁ nos ensina que devemos pronunciar claramente diante de ÓRÚNMÍLÁ os desejos veementes da nossa vida.Tais anseios e convicções são chamados pelos YORUBÁS de ÃYÚN(desejo veemente) ou ÁGBÁRA ÉKUKÁKÁ TÕTÓ(força verdadeiramente pura e positiva).
O desejo é o componente fundamental que encaminhará os nascidos dentro das junções a trilharem a senda que os fará felizes ou não.
Segundo o tratado de ÍFÁ, o ser humano nasce com sua própria individualidade ÓDÚ LÉYOLÉYO,todavia,tão logo nasça,defronta-se com vários obstáculos.
Contudo,deve seguir sua vontade instinta , não esquecendo de estudar em prol dos objetivos,de solidificar-se social e finaceiramente e , acima de tudo, deixar a alegria de viver em ascensãonevitando desta forma que o mal-estar,os sentimentos insanos, a insatisfação e a impotência controlem a caminhada dele pela terra.

Odùduwà chegando ao Àiyé, cria tudo o que era necessário e delega poderes às divindades que o seguiram, conhecidos como os Àgbà*, para governarem a criação, e volta ao Òrún, e só retornaria quando tudo estivesse realmente concluído. Òrìsànlá, que tinha ficado no Òrún com seus seguidores, já tinha moldado corpos suficientes para povoar o inicio do mundo, vai então para o Àiyé, com seus seguidores, os Funfun*; fato que ocorre antes da volta de Odùduwà para o Àiyé. *Anexos.

Quando Olófin Odùduwà retorna ao Àiyé, funda a cidade de Ilê-Ifé, e vem a ser o primeiro Oba (rei) do povo yorubano com o titulo de "Oba Óòni", ou seja, o primeiro Óòni de Ifé, e a cidade se torna a morada dos deuses e dos novos seres.

Durante todo este tempo, Odùduwà que já estava casado com Ìyá Olóòkun, divindade feminina, responsável e dona dos mares, tem dois filhos, o primogênito, a divindade Ògún e uma filha de nome Ìsèdélè. O tempo passa, e Odùduwà, que era uma divindade negra, porém albina, incumbe seu filho Ògún de ir para a aldeia de Ògòtún, vizinha de Ifé, conter uma rebelião.

Ògún, divindade negra, senhor do ferro, parte para sua missão e realiza o intento, trazendo consigo Lakanje, filha do rebelde vencido. Ora, Lakanje era espólio de Odùduwà, o Óòni de lfé, portanto intocável, mas Lakanje era muito bela e extremamente sensual e Ògún não resistiu aos seus encantos e com ela teve várias noites de amor, durante sua viagem de volta. Chegando a lfé, ele entrega os espólios da conquista, inclusive Lakanje, a seu pai Odùduwà, que também não resistiu aos lindos encantos da mortal Lakanje e por ela se apaixona e acabaram por casar-se. Ògún nada tinha contado a seu pai dos fatos ocorridos e logo após o casamento Lakanje está grávida, desta gravidez nasce um filho de nome Odéde.
Só que o destino foi fatídico, Odéde nasceu metade negro, como a pele de Ògún e metade branco, como a pele do albino Odùduwà, revelando assim, a traição de Ògún para com a confiança do seu pai, esta situação gerou muita discussão entre Odùduwà e Ògún, mas a principal foi "quem tinha razão", ou, quem teria mais "genes" no filho em comum, Odéde, e cada um se posicionava com a seguinte frase : "a minha palavra triunfou" ou "a minha palavra é a correta", que aglutinada é Òrànmíyàn e foi assim que ele passou a ser chamado e conhecido.

Com Lakanje, uma das muitas esposas de Odùduwà*, ou com outras, teve ou já tinha mais seis filhos, outros dizem dezesseis, uns, um número maior ainda, enfim, alguns dos filhos destas esposas, geraram as linhagens dos Obas Yorubanos, uns foram os precursores de sete das principais tribos, ou mais, que deram origem à civilização dos yorubas, e religiosamente falando, todos os povos do mundo. Os filhos, netos ou bisnetos de Odùduwà, os deuses, semideuses e/ou heróis, formaram a base da nação yoruba, portanto Olófin Odùduwà Àjàlàiyé é aclamado como "O Patriarca dos Yorubas". *Anexo

Obàtálá (Òrìsànlá) ,que também já estava no Àiyé com sua comitiva, mas devido a grande rivalidade com Odùduwà, foi expulso de Ilê-Ifé e funda a cidade de Ìgbò e se torna o primeiro Obà Ìgbò chamado também de Bàbá Ìgbò, pai dos ìgbòs. Numa sociedade polígama, Òrìsànlá é um caso raro de monogamia, pois a divindade Iyemowo foi sua única esposa e não tiveram filhos.

02 de fevereiro


Este dia é dedicado a Iyemoja,o grande gavião do rio.
Iyemoja senhora de seios fartos, que amamenta até aqueles que não seus filhos.

Dia Dois
De Fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
Pra saldar Yemanjá.

Escrevi um bilhete a ela
Pedindo pra ela me ajudá
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar.

O presente que eu mandei pra ela,
De cravos e rosas, vingou.
– Chegou! chegou! chegou!
Afinal que o dia dela chegou.

Báálé Iyemoja àgbódò dáhùn ire Íyá mi. Aseperiola. Aberìn èye lénu. Iwo loko mi. Abìrín iyì lésè méjèji. Olówo orí mi. Omi owó kò `wón nílé wa, Omi là bureke. Iyemoja a tó fara ti bí òkè. O lómi nílé bí egbele. Òrisa tí nfi omi tútù ´má gba èjé. Iyemoja a tún orí eni kó sunwòn se. Túbò tún orí mi se kalé o.

(Báále Iemanjá, de dentro das águas, responde com o bem).
Minha Mãe, que pode ser chamada para trazer prosperidade. A que sorri elegantemente. Você é minha Senhora. Louváveis são os passos de seus pés. Dona da minha cabeça. A água que tráz prosperidade não falta em nossa casa. Água em abundância. Iemanjá, firme como a montanha, nela podemos nos apoiar. Possui casa formada por muitas águas. Orixá que cura doenças com água fria. Que cura sem pedir sangue aos familiares do doente. Iemanjá, que melhora a má cabeça, melhore mais e mais a minha cabeça, até o fim da minha vida.
Iemanjá lhe dê paz, saúde e asé!

Olúdàré

Mito da Criação

 

Mito da Criação

Olodumare o Todo em Tudo, a Natureza, o Algo do Nada, criou o Universo em 4 dias. Em cada dia criou 4 Odu, num total de 16 Odu principais, ou seja, 16 kàdárà (predestinações) possíveis, que desdobrando-se entre si, perfazem o total de 256 odu.
Cada Odù aponta uma direção, um ponto de partida e seu término, alterando e influenciando dia após dia a conduta de tudo que possui vida. Os 16 odu principais correspondem aos pontos de adoração do Universo, que são os pontos cardeais, colaterais e sub-colaterais. Itan Dídá Àiyé (história da criação do mundo) Ofun Meji criou o Universo.

Após os primeiros momentos da formação do cosmos Ofun Meji deu início à geração de seus filhos (os demais odu). O primogênito foi Oyeku Meji, pois no princípio só havia trevas. Em seguida criou Eji ogbe (segundo alguns relatos ambos nasceram no mesmo dia). Após conceber Oyeku Meji, Ofun Meji entrega-lhe seu cetro real para que com o mesmo abrisse o PORTAL DA LUZ. Tão logo o mesmo fosse aberto surgiria a luz e a mesma se dispersaria pelo Universo, iluminando-o em todas as direções. Ofun Meji recomendou a Oyeku Meji abstinência ao emu.
Certo dia Oyeku Meji ao retornar de suas ocupações dispersou-se de seu irmão e embriagou-se com emu, desobedecendo as determinações do pai. Eji ogbe sentiu falta do irmão e retornou pelo caminho percorrido, encontrando-o embriagado e adormecido. Por mais que tentasse não conseguiu acordá-lo.

Em face disso Ejiogbe recolheu o cetro real e retornou sozinho ao Orun, onde Ofun Meji os aguardava. Tão logo chegou o pai perguntou:

"Onde está teu irmão, o guardião do cetro que conduzes?" "Ele bebeu emu em excesso e adormeceu. Tentei acordá-lo em vão. Como era hora de retornar, resolvi eu mesmo trazer o cetro real."

"Tu não bebeste?"

"Não! Sabes que não desobedeço às tuas ordens, meu pai." "Sendo assim confiarei a ti a guarda do cetro real. Tu substituirás teu irmão a partir deste instante."

Ao se recuperar da embriaguez e sentir a falta do cetro real, Oyeku Meji retornou ao Orun totalmente desnorteado. Ao cruzar os umbrais do orun foi interpelado por seu pai:

"Por que me desobedeceste, meu filho?"

"Não resisti ao desejo veemente do emu, e o pior é que não sei onde deixei o vosso cetro, e nem onde está meu irmão."
"Felizmente ambos não estão perdidos. Teu irmão recolheu o cetro real e o trouxe de volta para mim. Devido ao teu procedimento, de hoje em diante estarás subordinado a teu irmão mais novo."

A partir daí é que Eji ogbe passou a ocupar o primeiro lugar por ordem de chegada ao Aiye.

Oyeku Meji resignou-se a seguir fielmente Ejiogbe, o qual, piedoso suplicou ao pai:

"Oyeku Meji é meu irmão mais velho, e face a sua fraqueza e desobediência tornou-se meu servo, o que me entristece. Seria possível dar a ele a guarda das noites e das trevas, uma vez que confiaste a mim os dias e a luz?"

Com pena, Ofun Meji confiou a Oyeku Meji a vigília da noite, das trevas, do sono e da insônia, enfim a guarda de tudo que ocorre à noite, seja na terra, no ar ou nas águas.

Mais uma vez Ofun Meji chamou Ejiogbe a sua presença e o encarregou de disseminar a luz aos mais longínquos recantos do Universo, criando assim as estrelas. Deu-lhe como auxiliar Èsù (por isso Exu percorre os quatro cantos do mundo com seu ogó).

As determinações foram cumpridas, ficando do alto do céu o sol a reinar sobre os dias e a lua sobre as noites, e as estrela a brilhar nas madrugadas.

Texto adaptado por Ifátolà

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Egbè Orun abíkù


Egbè Orun abíkù
Comunidade da crianças que nascem para ter vida prematura.

Oriki Egbè

Egbè,
a afável mãe, aquela que é apoio suficiente para aqueles que a cultuam.
Aquela que veste veludo, a elegante que come Cana-de-Açúcar na
estrada de Oyo.
Aquela que gasta muito dinheiro em óleo de palma.
Aquela que está sempre fresca e tem fartura de óleo
com o qual ela realiza maravilhas.
Aquela que tem dinheiro para o luxo, a linda.
Aquela que sucumbe à seu marido como à uma pesada clave de ferro.
Aquela que tem dinheiro para comprar quando as coisas estão caras.


Ìwa àbíkú o!
Ìwa àbíkú o!
Àbíkú ò ìwa!
Àbíkú olóyè!

(Esta cantiga fala do caráter e honra do àbíkú na cerimônia do axexê,
onde só quem é àbíkú pode dançar).
Os espíritos àbíkú moram no Òrún (além) e vem de passagem ao Àiyé (terra),
se escondendo nas matas sagradas (igbó em yorubá e zoun em dialeto L’èwé).
O àbíkú na tradução literária da palavra significa,
Àbí = nascer, kú = morrer, logo, nascido para morrer.

Mojúbà - que minha homenagens sejam aceitas


Mojúbà
Mo júbà akódá -Eu saúdo os primórdios da existência
Mo júbà asèdá - Saúdo o criador
Atiyo ojó - Saúdo o sol nascente
Atiwó òòrun - Saúdo o sol poente
Ìkóríta méta ajàlàyé - Saúdo as três encruzilhadas que unem o mundo visível
ao invisível
Enyin Baba-nla mi, ìbà - Meus antepassados, eu os saúdo
Ìbá ni mo wa fi ìgbà yi je - Meu tempo presente é para fazer saudações
Ki nto maa lo - Antes que eu inicie minha caminhada,
E ma je ìba naa ó wun mi - Não deixe, de ouvir minhas saudações e me abençoem
Bi ek`ló ba juba ilè - Quando a minhoca saúda a terra
Ile a lanu fun - A terra se abre para que ela entre
ìbá ni mo jeo - Eu os saúdo
E la na ko mi - Abram o caminho para mim.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Iniciação do culto de Orísà

 
A iniciação é um rito de passagem, uma morte simbólica que transforma um homem comum em um instrumento do Orisa, em um "elegun", pessoa sujeita ao transe de possessão, a emprestar seu corpo para que Orisa viva entre nós mais uma vez, por um período de horas ou dias. O iniciando passa por ritos complexos, de isolamento e segregação, de silencio absoluto, de tonsura ritual, de sacrifícios de animais, de oferendas de alimentos, de pequenos cortes para inserção de pós mágicos em seu corpo ( cicatrizes sagradas que definem os futuros sacerdotes), simbolizando uma volta ao útero da Mãe Terra, de onde renascerá, não um homem comum, mas o instrumento de um Orisa, que por sua boca e seu corpo falará e se manifestará, aumentando assim seu conhecimento e o de todos os outros crentes.
Sua apresentação , já com sua nova personalidade e seu novo nome, ao público do Templo e da cidade, transforma-se então em uma festa de cores e de beleza inenarrável, aonde todos comparecem desejosos de compartilhar Axé (palavra que define nossa Religião : A/Awa: nós, xé: realizar, Axé - nós realizamos). Por várias vezes o neófito é apresentado ao povo, vestido e pintado com cores próprias do Orisa ao qual é consagrado, ao som dos tambores e de ritmos e cantigas tão antigos quanto a vida dos homens neste mundo.
E a cada troca de roupas, mais o Axé se espalha pelo Templo, culminando com a vinda dos Orisa, que vêm brincar e falar com seus filhos diletos, demonstrando sua satisfação por mais uma etapa cumprida.Cada item tem seu significado nesta hora. A pena vermelha, chamada "ekodide", que o elegun carrega em sua cabeça, simboliza realeza, honra, status adquirido pelo fato de ele ter se iniciado para ser um novo sacerdote dedicado ao culto daquele Orisa. As pinturas em cor branca, azul e vermelha, feitas a partir de substâncias vegetais e minerais, são os símbolos dos líquidos vitais de animais, plantas e do próprio ser humano, essenciais para a nova vida do iniciado.
A melhor roupa vestida por ele, por sua família, e por todos os presentes, demonstram o respeito e o apreço por Orisa. Como se fossem se apresentar frente a reis, nada menos que o melhor é permitido, uma vez que muitos reis são os representantes de nossos Orisa neste mundo, descendentes diretos que aqui ficaram para perpetuar sua força vital. Isto se estende aos alimentos e bebidas, cuja qualidade é severamente observada, aos animais oferecidos, às contas para a confecção de colares, e a todos objetos que compõem o Ebo. O bom não é suficiente, só o melhor é dado para o Orisa.
Por muitos dias o neófito irá carregar consigo um colar especial de sagração no pescoço, simbolizando seu amor, devoção e sujeição ao Orisa. Neste período também cumprirá resguardo sexual, porque esta energia não pode ser desperdiçada, toda sua força energética deve estar centrada em Orisa. Comerá comidas especiais, dormirá no chão, em uma esteira, aprenderá com os mais velhos as orações e cânticos de seu Orisa. É um tempo de amor, dedicação e aprendizado, um reaprender a viver, uma inserção do sagrado no cotidiano, uma experiência que não pode ser descrita, mas sim vivida
E a possessão faz parte de tudo isso, um ser dominado; um compartilhar corpo e espírito com Orisa; um ser o deus e voltar a ser o homem; sem a menor possibilidade de interferência, em que a perda de vontade própria e a submissão são aprendidos sem que se ensine ou aprenda, por instinto e memória ancestral. Algo de tribal, algo de divino, algo de humano, algo de fantástico. Ser para saber.
E, ao fim de tudo, o elegun reaprende os atos do dia a dia, retoma sua vida diária, mas para ele estará em primeiro lugar e sempre o Orisa. E, conhecendo através do oráculo sagrado, o Ifá, suas interdições, as proibições que Orisa e ancestrais lhe deram durante sua iniciação, ele conhecerá seu lugar na rígida hierarquia tribal, familiar e religiosa e viverá melhor sendo um "omo awo", filho do segredo, do que sendo tão somente um ser humano.